segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Feliz Ano Novo!

Procuro uma alegria
uma mala vazia
do final de ano
e eis que tenho na mão
- flor do cotidiano -
é vôo de um pássaro
é uma canção.


Carlos D. de Andrade
(Dezembro de 1968)

sábado, 29 de dezembro de 2007

no batuque do coração do fotógrafo.



Fotografias por Gabriel Rinaldi.

Gabriel Rinaldi, pessoa especialíssima, florianopolitano apaixonado por esta ilhota, mora há algum tempo nos EUA, e formou-se em fotografia no primeiro semestre deste ano, pelo Rochester Institute Of Technology.

Outros trabalhos dele, podem ser vistos
AQUI, e eu recomendo um em especial, que eu tive oportunidade de ver de pertinho... chama-se: Portraits Of Carnival, realizado no carnaval passado, num trabalho bem bacana com a comunidade da escola de samba Consulado.

A primeira foto aqui publicada (minha favorita dentre as dele), foi feita no carnaval também, no Bloco de Sujos..... a propósito, uma dessas cabecinhas, deve ser a minha!
A segunda, é do trabalho com a Consulado, no ensaio oficial da escola, lá na Praça XV.

Outros links dele:

http://www.fotolog.com/gabrielrinaldi
http://www.phototrends.blogspot.com

Enjoy!!!

Bande dessinée!




P.S.: E se um dia (num futuro distante) eu tiver um filho... o universo, Deus, a mãe natureza, o espermatozóide vencedor ou sejá lá o que for, já sabem: favor providenciar-me uma criaturinha assim... "a la Calvin".

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

tarde demais, babe!



"....a sabedoria nos chega quando já não serve para nada."


Gabriel García Márquez,
in O Amor nos Tempos do Cólera.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

JINGLE BELL!!!




Eu não sei o que é pior... as mensagens tradicionalmente ternas (quase surreais) e natalinas ou o avesso das tradicionalmente natalinas cheias de rancor e anti-hipocrisia.


Eu fico com as tradicionalmente natalinas e irônicas.
Viva a ironia!!!


..................


Não gosto do Natal. Não chego a odiar mas não gosto. Nunca gostei. Desde pequeno, no interior. Papai Noel sempre me assustou. Gostava de preparar a árvore com dias de antecedência, apesar de não concordar em colocar algodão para "simbolizar" a neve. Gostava de imaginar os presentes. Aliás, não gosto nem de dar e nem de receber presentes em datas certas. O presente é bom quando você não espera. No aniversário, Natal, Dia da Criança, depois Dia dos Pais, acho um saco de Papai Noel. O presente, conforme a palavra em si se explica, é uma presença. Portanto, não pode ser datada. Não deve ser uma obrigatoriedade.


Além de não gostar do Natal, em alguns aspectos, ele chega a ser irritante: Em vários aspectos. Senão, vejamos:


— Quer coisa mais irritante durante o mês de dezembro do que ir a um barzinho ou restaurante, de noite, para tomar um chopinho e ter, ao seu lado, aos gritos, berros e urros, uma "festinha da firma", com risos histéricos, discursos profundos e etílicos do "chefe", gozações com a "gostosa" da firma e a indefectível troca de "amigos secretos?" Por que gritam tanto nas "festinhas da firma?" E quando você vai ao banheiro sempre tem um ou dois funcionários burocraticamente vomitando. Como se vomita no Natal! Principalmente os bancários.

— E o "amigo secreto" então? Já notaram que sempre sai para quem não é nem muito amigo e muito menos muito secreto? E você passa o mês inteiro tendo que imaginar o que vai dar praquele chato. Se o "amigo secreto" já é uma relação constrangedora na firma, em família então, nem se fala. Em primeiro lugar, porque dois ou três dias depois do "sorteio", todo mundo já sabe quem é o amigo de quem. Você já sabe pra quem vai dar e de quem vai receber. Essas informações sempre vazam no seio familiar. Sempre tem uma irmã que sabe de todos, ninguém sabe como. E você que torceu para não sair aquela prima fofoqueira, pois é justamente com ela que você vai se abraçar logo mais. E dizer todas aquelas frases. Todas, são insubstituíveis.

— E as propagandas de Natal? Existe coisa mais horrível que este bando de gordos com brancas barbas, puxados por veadinhos? A publicidade brasileira é uma das melhores do mundo, perdendo talvez apenas para a inglesa. Mas, chega o Natal, baixa o "espírito natalino" nos criadores das agências e dá no que dá. Eles não conseguem (há 1.994 anos) fazer um único anúncio sequer decente nessa época. São constrangedores, amadores, dignos de um Papai Noel de mentirinha. Tem uns, mais "criativos", que até neve têm, debaixo dos 40 graus de dezembro.

— E aqueles Papais Noéis que vão de casa em casa e os pais obrigam as criancinhas a dar beijo naquele sujeito imenso, barba descolada, sapatão de militar, já meio bêbado depois de passar em várias casas de amigos e parentes? As criancinhas esperneiam, não dormem semanas seguidas, sonhando com aquele monstro que o pai fez beijar. Meu Deus, é um outro pai que eu tenho?, devem pensar os pequenininhos da família. E o monstro ainda diz "coisas" para os indefesos, presos nos braços do pai ou da mãe, quiçá da avó: este ano, não vai fazer malcriação, vai comer toda a papinha, não vai mentir e nem fazer xixi na cama, viu, Rony? Coitados.

— Mas o pior mesmo é a ceia, propriamente dita. Com o passar dos anos, a família vai crescendo e de repente já são quatro gerações que estão ali, de olho no peru. Umas 50 pessoas. E ali dá de tudo. Cunhados que não se falam, a velhinha que não escuta os planos do asilo, o fulano que está falido, coitado, a prima que está dando para um sobrinho, aquele casal que está separado mas que, no Natal, baixa o "espírito" e eles comparecem juntos. Todo mundo sabe que se odeiam. Mas é Natal. Aquele tio que deve tanto para o seu irmão também está lá. Mas é Natal. E a irmã que não pagou a trombada que ela deu com o carro do tio-avô? Tudo é permitido. Afinal, é Natal. Nasceu quem mesmo? Jesus, não foi? E, por isso, à meia-noite, todos dão as mãos e rezam (des)unidos.

— E, para terminar: existe música mais chata que Jingle Bell?

Já o Reveillon, é o maior barato. É quando tomamos o porre para tirar e esquecer a ressaca do Natal. Mas não adianta. No ano que vem, tem outro Natal.

Jingle Bell Prá Vocês - Mário Prata.

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Texto extraído do livro "100 Crônicas", Cartaz Editorial - São Paulo, 1997. pág. 148

domingo, 23 de dezembro de 2007

Vontade de POESIA.


Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

Fernando Pessoa

foto: Miguel Rita.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Esquece, escuta!

"Quanto mais esquecido de si mesmo está quem escuta, tanto mais fundo se grava nele a coisa escutada..."

Walter Benjamin

domingo, 16 de dezembro de 2007

PESCANDO OTIMISMO.



Conseguiste penetrar numa bola de cristal,
depois da catástrofe?
Miragens do inefável incêndio emudeceram nas lonjuras
e o trampolim das maravilhosas pinturas reais
estendeu uma mão acolhedora, singrada de preciosos anéis,
e um abraço encantado e santo.

E não irás mais amaldiçoar a Vida,
pois agora és um Mago.
A madeira ainda estala nos bosques da tua primeira bem-aventurança.
Nas manhãs não vai deixar de te sobreviver,
como numa primeira pronúncia,
o agora já sabido sopro singular.


Othon D`Eça Neves.
(mon frère)
http://www.kindertraum.blogspot.com
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Pintura de James Tissot - Le Printemps.

sábado, 15 de dezembro de 2007

R.I.P. "MOTIVAÇÃO".



A fabulosa arte de desistir...

Pessoas possuem uma incrível e lamentável capacidade de matar quem está ao redor... todas as pessoas, sem exceção. Mas algumas pessoas são realmente muito boas nisso, verdadeiras especialistas. Donas de um poder de aniqüilamento tão aguçado que toda vez em sua preseça (ou nem precisa que estejam presentes de corpo) é uma morte, no mínimo.
Há algum tempo, felizmente, entendi que o remédio é desistir...se deixar matar e aprender a ressuscitar depois.... a princípio parece mais difícil, mas no fundo é a melhor alternativa do ponto de vista de crescimento, muito melhor do que ir "sobrevivendo".

Eu "vivo morrendo", morro quase todo dia.
Com algumas pessoas eu chego a morrer de 10 em 10 minutos.

Ontem, eu morri mil vezes numa única e breve madrugada.
O que durante meses foi motivação e inspiração, virou suicídio em queda livre, do prédio mais alto que minha imaginação foi capaz de criar.... não quis esperar ser morta pela milésima primeira vez, matei-me de uma só vez....espatifei em pedaços, de peito e cara no chão, para não ter que continuar "sobrevivendo" a algo que na minha (sempre) tola ilusão, tinha um potencial enorme.

*Plaft!*


.....


[...]

Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge...


Álvaro de Campos (Fernando Pessoa).

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

"morgan" de toi!


Je viens du ciel et les étoiles entre elles ne parlent que de toi...

....................................

[...]

Amor é a grande desilusão de tudo mais.
Amor é finalmente a pobreza.
Amor é não ter inclusive amor...
É a desilusão do que se pensava que era amor.
Amor não é prêmio por isso não envaidece.

C. Lispector - A Legião Estrangeira.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

FATIGANTE!

Pro inferno os molengas, os invejosos, os inconvenietes, os limitados, os iludidos, os pobres de espírito e os covardes.... ah, os covardes, esses merecem mais que o inferno... merecem o céu LOTADO de crentes!!!!




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"eu só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder..."

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Paraíso das Águas.



Rio São Francisco - Alagoas.


Viagem que fiz com a minha irmã para Maceió, em janeiro de 2006.
O nordeste não tinha grande impacto, até que conheci a chamada de "Paraíso das Águas": Maceió.
Entendi logo o motivo do apelido e encantei-me por ela.
Dos oito dias de viagem, pelo menos quatro deles, foram dentro d`água...

O refrão da música que tocava por TODOS os cantos e que ficou grudado na cabeça durante toda a viagem dizia assim:

"Ai que saudade do céu, do sal, do sol de Maceió..."

.

Saudade de Maceió, enfim...

domingo, 9 de dezembro de 2007

Epístrofes aos montes!

Nessa madrugada, duas coisas:

1) Um poema do Drummond, que eu gosto muito (de tão lindo, chega a doer)... para ajudar a sossegar a cuca... (em seguida);

2) Um vasto "não saber" se posso/consigo/devo ou se adianta ser mais direta do que tenho sido!!!

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Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Amar - Carlos Drummond de Andrade.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

don't think twice.


"O passado passou para nós, mas não nós para o passado..."
Magnólia (O Filme), Paul Thomas Anderson, EUA - 1999.

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-> Secret Garden - Bruce Springsteen

AH, O ACASO...


Bref dans un acte où le hasard est en jeu, c`est toujours le hasard qui accomplit sa propre Idée en s`affirmant ou se niant. Devant son existence la négation et l`affirmation viennent échouer. Il contient l`Absurde - l`implique, mais à l`état latent et l`empêche d`exister: ce qui perment à l`Infinit d`être.

-

Ao pé da letra é mais ou menos isso:


Breve, num ato onde o acaso está em jogo, é sempre o acaso que realiza a sua própria Idéia, afirmando-se ou negando-se. Frente a sua existência, a negação e a afirmação acabam de fracassar. Ele contém o Absurdo - implica-o, mas em estado latente e o impede de existir: o que permite ao infinito ser.

Igitur ou La Folie d`Elbehnon - Le Coup de Dés - Stéphane Mallarmé


.


A primeira foto é da subida do morro da Lagoa... indo ao encontro do céu... no mirante, mais a frente (a segunda foto), numa "matada" de aula de Direito Civil, no dia 31/10, num daqueles urgentes momentos de "necessária solidão".

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Fast Car :: Tracy Chapman.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O IMPOSSÍVEL!

"(...) Até os 10 anos eu era capaz de acreditar em até 3 coisas impossíveis antes do meio-dia.(...)"

- Lewis Carroll -


*imagem do filme: Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain, de Jean-Pierre Jeunet - France (2001).

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Ah, núcleo accumbens, danadinho!


Fico verdadeiramente contente de não ter nascido homem, e se eu tivesse nascido homem, tenho certeza ABSOLUTA de que seria viado.
Primeiro pelo fato de que gostar de mulher exige um esforço sobre-humano, depois e por fim, porque na piadinha machista-popular que diz: "quem gosta de pinto é viado, mulher gosta mesmo é de dinheiro", eu continuo estranhamente, fazendo parte do primeiro grupo, éééé!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

la nostalgie...



Elle est pas terroriste, elle est pas anti-terroriste
Elle est pas integriste, elle est pas seule sur terre
Elle est pas commode, non elle est pas comme Aude
Elle est pas froide, elle est pas chaude pour nu realiste
Elle est pas crediteur
Elle est pas mechante, mais putain qu'est ce qu'elle est chiante
Elle est pas interimaire, elle est pas comme ma mere
Elle est passagere, elle est pacifiste,
Elle est pas d'accord, elle est passionnee
Elle est pas fute fute, elle est pathetique, elle aime pas tous mes tics
Elle est pas solitaire, elle est pas solidaire, elle est paresseuse
Elle est pas reciproque, elle est pas en cloque
Elle est pas d'la region PACA, elle a qu'a s'envoler
Elle est parisienne, elle est pas presentable,
Elle est pas jolie, elle est pas moche non plus,
Elle est pas a gauche, elle est pas a droite, elle est pas maladroite
Elle est pas terroriste, elle est pas anti-terroriste
Elle est pas jolie, elle est pas moche non plus
Elle est pas toujours drole, elle est pas libre
Elle est pas tentee, elle est paternaliste
Elle est pas inspiree, elle est patiente
Elle est pasticheuse elle est pas cible, elle fait pas la politique
Elle l'a pas vole, elle passing-shot
Elle est passe-temps, elle est pas stable
Elle est passable, elle est pas partout
Elle dit qu'elle partira ou elle est meme pas venue
Elle est partisane, elle est pas pas pas sortable
Et ça j'vous l'ai pas pas deja dit
Qu'elle est parisienne, elle est parisienne
Elle est pas terroriste, elle est pas terroriste


Louise Attaque.

domingo, 25 de novembro de 2007

NÃO É O PARAÍSO, É UM CIRCO!


Arrogante, podem me chamar de arrogante!
Cada vez que eu saio para um programa descente nesta cidade, mais eu entendo o motivo deles serem tão raros e mais me convenço de que as pessoas daqui devem mesmo fazer o favor de continuar indo nos terríveis shows de hip hop e saindo para dançar em boates onde as pessoas são tão iguais que parecem saídas de uma fábrica... produzidas em série.

Camerata de Florianópolis, nesta última sexta-feira, o repertório era: músicas de cinema. Filmes que foram sucesso no século XX. Idéia genial, músicos e performances excelentes, e uma platéia de dar vergonha.....um eterno entra e sai, celulares tocando, gente com criancinhas de colo que abrem um berrero no meio da apresentação, pessoas conversando sem parar e aplausos nas horas mais inoportunas possíveis... eu juro, eu nunca tinha visto a platéia acompanhar orquestra de música erudita com palmas, na minha vida... parecia um circo ou programa de auditório, sei lá...

Toda apresentação com um conteúdo um pouco melhor é assim, sentimentos contraditórios... por um lado o prazer da apresentação em si, por outro o desgosto de constatar, mais uma vez (e todas as vezes) que esta ilhota pronviciana onde nasci é linda, com suas 42 praias e cheia de gente vazia sem o mínimo de conveniência!

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"Bem atrás do pensamento tenho um fundo musical."
- Clarice Lispector


domingo, 18 de novembro de 2007

COMO?

Lembre-se dos elogios que recebe.
Esqueça os insultos.
(Se conseguir fazer isso, me diga como).


Sunscreen.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

EU QUERIA TER UMA BOMBA!


Ou são os dias estranhos, ou é excesso de Heroes, ou é um desejo homicida contido... mas que eu queria ter uma bomba, eu queria. Hoho!

Solidão a dois de dia. Faz calor, depois faz frio. Você diz "já foi" e eu concordo contigo. Você sai de perto eu penso em homicídio. Mas no fundo eu nem ligo. Você sempre volta com as mesmas notícias. Eu queria ter uma bomba. Um flit paralisante qualquer. Pra poder te negar... Bem no último instante. Meu mundo que você não vê. Meu sonho que você não crê.

Cazuza (estou LONGE de ser fã dele).

sábado, 3 de novembro de 2007

VOCÊ INDO EMBORA...


...Eu parado na porta às quatro da manhã. Você indo embora. Eu me perdendo então desamparado entre cinzeiros cheios e garrafas vazias. Você indo embora. Eu indeciso entre beber um pouco mais ou procurar uma beata em plena devastação ou lavar copos, bater sofás, guardar discos, mastigar algum verso, adoçando o inevitável amargo, despertar para depois deitar, partir, morrer, sonhar... quem sabe. Você indo embora. Acordar na manhã seguinte com gosto de corrimão de escada na boca: mais frustração que ressaca, desgosto generalizado que aspirina alguma cura. Tocaria o telefone? Você indo embora, fotograma repetido. Na montagem, intercalar. Você indo embora, você indo embora....

Caio Fernando Abreu.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

domingo, 28 de outubro de 2007

VONTADE DE POESIA!

Dorme, criança, dorme,
Dorme que eu velarei;
A vida é vaga e informe,
O que não há é rei.
Dorme, criança, dorme,
Que também dormirei. Bem sei que há grandes sombras
Sobre áleas de esquecer,
Que há passos sobre alfombras
De quem não quer viver;
Mas deixa tudo às sombras,
Vive de não querer.

Fernando Pessoa.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

AMNÉSIA : MODE [ON].


Sabe esses desejos de capacidades surreais, quase como super-poderes?
Acho que todo mundo já teve um desejo assim... por exemplo: "putz, se eu pudesse voltar no tempo" ou "poxa, se eu fosse invisível"... ou ainda, "ah se eu pudesse ler pensamentos"....
Voltar no tempo, ser invisível, ler pensamentos... sempre foram os meus super-poderes mais evocados, mas certa vez eu tive um desejo súbito por outro diferente, que volta e meia me retorna à mente.. o desejo de amnésia voluntária!
Sim, já pensou? Amnésia voluntária seria um super-poder e tanto.... pouparia muitas sessões de terapia por traumas ou coisas mal resolvidas.... (santa utopia)!
Não está conseguindo conviver com algo que já passou e não tem mais jeito de mexer? Aperta o botão da amnésia voluntária e pronto, apaga-se os detalhes do caminho, que é o que geralmente fazem a coisa ser tão difícil de suportar e fica-se só com o resultado... não vai lembrar como chegou naquilo mesmo....

Eu não conseguiria citar nem cinco coisas das quais me arrependo na vida, mas no entanto, sei que no meio de tantas passagens, com finais felizes ou sem sucesso, tem um bom bocado de detalhes, cenas e palavras rudes que me foram ditas, que eu gostaria de simplesmente esquecer.
É incrível como detalhes podem minar uma história inteira!!!!


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"Porque você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo."


"Eles", O ovo apunhalado - Caio Fernando Abreu

Foto de: Vincent Teulière

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

É...



- Porra! - gritou.
Amaranta, que começava a colocar a roupa no báu, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião.
- Onde está? - perguntou alarmada.
- O quê?
- O animal! - esclareceu Amaranta.
Ursula pôs o dedo no coração.
- Aqui - disse.

Gabriel Garcia Márquez, in Cem Anos De Solidão e pintura surrealista de Salvador Dali - O Grande Masturbador.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

UM MAR DE FOGUEIRINHAS!


Em face de uma certa e agoniante estagnação, presa e dependente a fatos e acontecimentos temporais do que se pode chamar de "seqüência natural da vida"... a graça, a iluminação e a salvação dos dias nascem, sobretudo, da existência do bendito mar de fogueirinhas que eu tive e continuo tendo a felicidade de cruzar no caminho.
A vida surpreendentemente compensa, nunca houve tamanha variedade de fogueiras.... fogueiras amigas, coloridas, interessantes, algumas próximas, outras distantes... fogueiras afrodisíacas, inteligentes, divertidas, excêntricas, filosóficas, artísticas... tem de todos os jeitos e tamanhos e para todos os gostos e principalmente e felizmente para o meu...


O Mundo...

Um homem conseguiu subir ao céus.
Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana.
E disse que somos um mar de fogueirinhas.
- O mundo é isso - relevou. - Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras.
Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores.
Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas.
Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto, pega fogo.


Eduardo Galeano - O Livro dos Abraços.


sábado, 13 de outubro de 2007

ALÍVIO PARASITA?

Estranho bálsamo este da aflição alheia.
Não sei se é comum a todos, mas para mim funciona involuntariamente com uma eficácia assustadora....
O motivo? Gostaria de saber.
Ruim? Não... nenhum conforto é ruim. Mas não é das melhores coisas, obtê-lo pelo preço alto do sofrimento alheio.
Não há culpa, pois não há prévia responsabilidade, mas não se torna menos caro, nem se parece menos cruel.
É tão nítido que por vezes eu me pego buscando saber dos problemas do mundo, simplesmente para me sentir melhor em relação aos meus.
Uma resposta, sim eu gostaria de entender....
Por que diabos os meus conflitos parecem diminuir e minhas angústias quase desaparecem, quando estou diante dos problemas de outras pessoas, ainda que eu nem as conheça?
Humanidade, solidariedade, piedade ou hipocrisia?!

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"E hoje não. Que não me doa hoje o existir dos outros, que não me doa hoje pensar nessa coisa puída de todos os dias, que não me comovam os olhos alheios e a infinita pobreza dos gestos com que cada um tenta salvar o outro deste barco furado. Que eu mergulhe no roxo deste vazio de amor de hoje e sempre e suporte o sol das cinco horas posteriores, e posteriores, e posteriores ainda."


Para Um Roxo Dia de Sol de Fevereiro - Caio Fernando Abreu.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

NA DIREÇÃO DO VALER A PENA!


Tudo vale a pena se a alma não é pequena....
Fernando Pessoa.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

NÃO SORRIA...


...VOCÊ ESTÁ SENDO FILMADO E PODE SER CONSIDERADO UM TERRORISTA!

Que os norte-americanos sofrem de uma paranóia quase patológica com relação ao terrorismo, não é novidade para ninguém. Mas eles ainda conseguem surpreender com as idéias e medidas absurdas de “segurança” que eles inventam.... sabe Deus, de onde.

Ontem, eu entrei no site da BBC e dei de cara com uma notícia tão estapafúrdia, que à princípio me soou como piada. Não, para a minha tristeza, nada tinha de piada, era mais uma novidade da realidade (palavra contraditória, aqui) dos nossos vizinhos de continente.

A manchete (que sozinha já me levou aos calafrios) dizia o seguinte:

"Eua buscam nova tecnologia para captar potenciais terroristas."

(Medo... medo medonho....)

A parte que realmente interessa da notícia está aqui (e clicando, vocês podem lê-la na íntegra aqui):

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos lançou um projeto que prevê o desenvolvimento de sensores para identificar terroristas antes que eles ataquem.

O Projeto de Intenções Hostis (PHI, na sigla em inglês) consiste da instalação de um software especial em câmeras, aparelhos de laser e de infravermelho para detectar microexpressões faciais e comportamentos que levantem suspeitas.

O professor Peter McOwan, da Queen Mary University, em Londres, trabalha na confecção de um novo software que capacita computadores a lerem a face humana.

"Estamos procurando por microexpressões faciais em pessoas que em geral mantêm uma expressão neutra, mas que em algum momento se exprimem de forma inconsciente, ao por exemplo mover as sobrancelhas. Esses movimentos acontecem muito rápido e acreditamos que essas microexpresões possam nos fornecer meios de detectar potenciais terroristas", disse o professor em entrevista à BBC.

Especialistas acreditam que expressões involuntárias podem, com freqüência, revelar as intenções de uma pessoa. Uma careta momentânea ou um piscar de olhos suspeito seria suficiente para levar alguém a ser interrogado.

Os responsáveis pelo projeto esperam poder implementá-lo em aeroportos americanos e em fronteiras em 2012.

A nova tecnologia está sendo comparada à história do filme de ficção-científica Minority Report, de Steven Spielberg, em que Tom Cruise comanda o Departamento de Pré-Crime, que atua na captura de criminosos antes mesmo de cometerem qualquer delito.

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Quem já estudou ou conhece um pouco sobre criminologia, provavelmente fará a mesma reflexão pessimista que eu....

Em plenos “modernos” 2012, nós (ou eles, o povo realista que baseia sua vida em filmes de Spielberg), vamos dar um imenso salto de regresso aos anos 1870 e tantos.... lá, onde Lombroso criou e difundiu uma idéia que felizmente não vingou (em parte, porque a sociedade até hoje, vive isso sem perceber).

Cesare Lombroso, foi um criminologista italiano que criou a teoria do “criminoso nato”. Esta teoria relacionava certas características físicas e mentais (que ele chamava de estigmas, como o tamanho e formato da cabeça, mandíbula, mão, opção sexual, etc, etc......) à psicopatologia criminal, ou a tendência inata de indivíduos sociopatas e com comportamento criminal. Qualquer um que tivesse a má sorte de cair num padrão considerado por ele como o de um criminoso em potencial, era suspeito.

Tanto tempo levou-se para modificar tamanho absurdo - que bem na verdade nem está totalmente superado - e os EUA (que tem um terrorista caipira na presidência), sugerem algo altamente lombrosiano em plenos 2007 para iludir e confortar a sua síndrome paranóica e xenófoba do terrorismo.

Cuidado, à partir de 2012, estando em território norte-americano ou fronteiras: não pisque, não mova a sobrancelha, não sorria..... tente parecer-se ao máximo com o Robocop, para não correr o risco de ser tido como terrorista e sofrer sabe-se lá que tipo de abusos e violações....

Quer conhecer o Mickey Mouse?
Corre, vai agora!!!



terça-feira, 25 de setembro de 2007

ALGUÉM DISSE... Da Experiência...


Os não amantes do ctrl c + ctrl v, que me perdoem.... (viu Les?)
Mas os estudos para a frustrante prova de Direito Penal de ontem, acabaram com a minha disposição de leitura e escrita...

Só para constar e o dia não passar em branco, "alguém disse", com o queridão do Oscar Wilde:

"A experiência não tem valor ético. Ela é apenas o nome que o homem dá a seus erros. Em regra os moralistas consideram-na uma espécie ética, para a formação do caráter, e louvaram-na achando que ensinava ao homem o que ele devia ou não devia fazer. Mas a experiência não é uma força motora, como tampouco é a consciência. Ela demonstra que o nosso futuro parecer-se-á com nosso passado, e que aquilo que fizemos uma vez com horror, voltaremos a fazê-lo mil vezes com alegria."

Oscar Wilde

domingo, 23 de setembro de 2007

INDUÇÃO ILUSÓRIA DE INCESTO CEREBRAL!


Conversando com alguém esses dias, sobre focar as coisas certas, não perder tempo com coisas sem importância e etc.... a minha cabeça foi um pouco longe demais... hahaha...
Puxando a idéia também para o lado afetivo, o que inevitavelmente acontece quando se é mulher, eu fiquei pensando:
Tenho dois irmãos, dois belos irmãos.... dois belos irmãos inteligentes. Vamos supor que eu tivesse sido separada deles ao nascer e por ventura os conhecesse no meio da vida... eu poderia vir a me apaixonar por qualquer um dos dois, certo? Certo.
Mas estes dois indivíduos, que eu conheceria sem saber que eram meus irmãos, são os mesmos que hoje eu conheço como irmãos e eu NÃO sou apaixonada por eles e isso provavelmente não aconteceria MESMO, por mais afinidade que existisse entre nós, certo? Sim, certo.
Pois então..... se é tão fácil de NÃO se apaixonar por irmãos, quase automático, pelo simples fato de que não pode e PONTO.... por que diabos é tão difícil de não se apaixonar por pessoas potencialmente erradas?! Ou, por que é tão difícil desapaixonar de pessoas com quem a gente sabe que não tem chance??
Será possível que é pura teimosia do ser humano? Ou o coração é essa coisa burra mesmo?!
Pois bem, podem me chamar de louca, mas eu estou decidida (cof, cof, cof e brincando, claro).... vou fazer um teste. A próxima vez que me apaixonar errado, vou assumir para mim o sobrenome do gajo em questão, trata-lo por brother, colocar uma foto do infeliz junto das fotos de família na parede e induzir fortemente o meu cérebro a acreditar que o cara é meu irmão.
Pronto!
Geeeenius!
Como é que eu nunca havia pensado nisso antes?!!
Tsc...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

VONTADE DE POESIA!


O poeta chileno Pablo Neruda, escreveu para sua amada Matilde, um livro que chama-se: Cem Sonetos de Amor.

Aos alheios à poesia, vale constar como curiosidade, que os sonetos tiveram origem na Itália, surgiram como uma espécie de canção ou de letra escrita para a música e são poemas compostos por quatro quartetos e dois tercetos de versos, podendo ou não, possuir rima. Esta métrica não é totalmente rígida e acaba sofrendo algumas mudanças de acordo com a característica do poeta.

Os cem sonetos deste livro de Neruda, são organizados por capítulos nomeados com as divisões do dia, como: Manhã, Meio-Dia, Tarde e Noite.

O poema que escolhi é parte da "Manhã" e o que me chamou atenção foi a maneira como o Neruda, expõe qualidades e defeitos da mulher que ama.

Quando amamos, tendemos à transformar a pessoa em questão num indivíduo ideal ou próximo da perfeição. Torna-se então, um bocado positivo conseguir chegar no ponto de amar com a consciência de que essa chamada "perfeição" é constituída pela soma das boas e más características que formam a personalidade que nos apaixona.... e que até o que é ruim, no fim das contas, é parte do encanto.

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XX


Minha feia, és uma castanha despenteada,
minha bela, és formosa como o vento,
Minha feia, de tua boca se podem fazer duas,
minha bela, são teus beijos como frescas melancias.

Minha feia, onde estão escondidos teus seios?
São mínimos como dois vasos de trigo.
Me agradaria ver-te duas luas no peito:
as gigantescas torres de tua soberania.

Minha feia, o mar não tem tuas unhas em sua tenda,
minha bela, flor a flor, estrela por estrela,
onda por onda, mensurei teu corpo:

minha feia, te amo por tua cintura de ouro,
minha bela, te amo por uma ruga em tua fronte
amor, te amo por clara e por escura.

Pablo Neruda

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

CONTOS DE MSN!



Ganho pouco, estudo muito, termino o final de semana com a bunda quadrada, mas me divirto...

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O MISTÉRIO DO TODDY SABOR CHOCOLATE AO LEITE
07:00 PM - sábado.

Fulano
: fui lá na cozinha
Fulano: tinha toddy sabor chocolate ao leite
Manuela: hm
Fulano: e eu achando que se vc queria mais leite no achocolatado era só pegar um copo maior...
Fulano: não entendo mais nada
Manuela: (cara de espanto)
Fulano: ?
Manuela: ??
Fulano: pô
Fulano: toddy é um achocolatado, é pra vc pegar e jogar no leite
Fulano: pq a porcaria do achocolatado vem com sabor chocolate ao leite?
Fulano: é que assim eles botam chocolate + farinha?
Fulano: ai no final tem menos chocolate e + leite...
Manuela: mas que questão estranha, jesus
Manuela: não, chocolate ao leite é o TIPO do chocolate, Fulano
Manuela: tu tá viajando criatura
Fulano: não tô não...

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O BÊBADO CHORÃO SEM AMIGOS
05:00 AM - domingo.

Manuela: fala, querido
Manuela: que te atormenta?
Beltrano: muita coisa!
Beltrano: faltam amigos
Beltrano: verdadeiros
Manuela: sério?
Beltrano: eu me preocupo com todos
Manuela: (carinha triste)
Beltrano: quem se preocupa comigo?
Beltrano: amigos pra rir é fácil...quero amigos pra chorar, sabe?
Manuela: sei
Manuela: quarta-feira eu estou livre à noite...
Manuela: quer chorar?
Manuela: (sorriso)
Beltrano: eu quero
Beltrano: quero hoje tb, mas vc não vai querer
Beltrano: 5 da manhã, com um bêbado chorão?
Beltrano: ninguém merece!
Manuela: hj não.... 5 da manhã é brabo... bêbado chorão não é o problema
Manuela: mas podes ficar bêbado quarta e chorar
Manuela: hahahahahhahaha
Beltrano: (carinha triste)
Manuela: e hoje eu tô um trapo também
Beltrano: trapo rox
Manuela: com olheiras
Beltrano: por mim... quem dera um trapo com um ombro!

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O Muçulmano Eunuco
10:30 PM - domingo.

Ciclano: oi, sou muçulmano
Manuela: ??
Manuela: hahahaha
Ciclano: ahhhh... tinha dois pênis... quando fui cortar um... já pedi para tirar os dois
Manuela: wtf?
Manuela: hahahahaha
Ciclano: tu não acredita em mim né?
Manuela: claro que não
Ciclano: vou sair, valeu
Manuela: ???
Ciclano está offline.


sábado, 15 de setembro de 2007

Bode Expiatório Habitual!

Bode Expiatório... todo mundo é, todo mundo tem o seu!
(Dá quase uma música de propaganda de título de capitalização...)

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Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

[...]

Poema em Linha Reta - Álvaro de Campos


sexta-feira, 14 de setembro de 2007

MUDAR DE DIREÇÃO...

Um dia aprende-se (aprendo), sim!
Ou muda-se por opção ou pelo empurrão que a vida nos dá... aleluia!

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"Ai de mim!", disse o rato, "o mundo vai ficando dia a dia mais estreito".

"Outrora, tão grande era que ganhei medo e corri, corri até que finalmente fiquei contente por ver aparecerem muros de ambos os lados do horizonte, mas estes altos muros correm tão rapidamente um ao encontro do outro que eis-me já no fim do percurso, vendo ao fundo a ratoeira em que irei cair".

"Mas o que tens a fazer é mudar de direção", disse o gato, devorando-o.

FÁBULA CURTA - FRANZ KAFKA

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

PALAVRAS DE LIBERTAÇÃO!



Em dias de fúria, frustração, decepção, raiva, ira e etc....seja com os outros ou comigo mesma, nada como as abençoadas palavras de libertação, vulgo: palavrões.
Dentre as tantas: porra, foda-se, vai à merda, filho(a) da puta, tomar no cu... a minha favorita sempre foi: vá para a puta que te pariu!!!!!
Essa, além de xingar a pessoa e a mãezinha da mesma, ainda manda a primeira de volta às raízes..... tipo: vá pra puta que te pariu = veio da merda, volte para ela, OBRIGADA!
Aaaah, mas esta ERA a ideal.. sim, ERA.... até que eu descobri algo melhor..... muito melhor do que mandar o(a) cretino(a) em questão de volta para a puta da mãezinha, é mandar para a CASA DO CARALHO.
A casa do caralho é perfeita... um lugar sombrio, fétido, úmido.... tem todo tipo de germes e bactérias possíveis.... a casa do caralho fica histérica e cria até teia de aranha, quando muito tempo em desuso... (deu pra sacar a relação?)...
Mandar alguém à merda, pra puta que pariu, pro diabo que o carregue, pro inferno, pro olho do cu (esse também é bacana)... todos são fichinha, perto da casa do caralho!!!!!!
Mandar alguém pra casa do caralho é terapêutico....
Tenta aí, pode tentar... vai lá, enche a boca e larga: VAI PARA A CASA DO CARALHO!
E se quiser um plus, põe um final assim: VAI PARA A CASA DO CARALHO, PORRA!
Sentiu o alívio?!
Eu senti!

sábado, 8 de setembro de 2007

COM LICENÇA, POESIA ERÓTICA... (OBA!)



Nua, mas para o amor não cabe o pejo

Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...

Delírio - Olavo Bilac

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Férias para Nietzsche!

Decadentes!
Dai descanso ao maior de todos dentre os imoralistas por excelência! Deixai de usar seu nome em vão em vossos profiles, blogs, diários e afins... ou a ira de Zaratustra recairá sobre vossas cabeças!
Pra quem já matou Deus, vocês não passam de canja de galinha, ohohoho!


http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=25269901

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Desconstruindo...

Parece uma crise, mas é só o fim de uma ilusão.
[Gerald M. Weinberg]



OLHOS VÍCIOS!


Em um instante total de identificação, numa pasmaceira de olhos molhados, deu-se o meu encontro com o texto do blog de uma irmã....

Percebendo-me longe de ser o eixo, nada girando em minha não-órbita de não-astro, nem perto de parecer-me com o centro do universo.. no tal momento de identificação, a onomatopéia fez-se trilha sonora de suspiros, seguidos de um aliviado: " - Que bom!"

Que bom olhar para o lado e perceber que não se está só... nem mesmo em dramas de "olhos vícios"...

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"uma vez uma guia salamantina me disse que o verde era a cor do vício. Eu sempre achei que era 'esperança', mas essa idéia de verde = vício, no pior sentido possível, é muito mais verdadeira. E não me olha assim, isso, fecha os olhos! Pior que mesmo de olhos fechados dá pra saber que são verdes... Eu sei, a culpa não é tua, mas também não é minha, meu bem, NÃO ABRE OS OLHOS, que saco, tu bem sabes que me absorves inteiro assim! tá, desculpa, mas é que me irrita, eu não quero ser absorvido agora, não te dou abertura pra isso, tudo bem tudo bem, eu sei que tu também não queres me absorver, mas eu sinto muito, tu tens olhos vícios, digo, verdes, e eu não gosto do jeito intenso que eles me tratam..."

este emprestado de: http://quasegente.blogspot.com/

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

SORRIA: piadas de advogado!

Piadas de Advogados... já que dizem que rir de si mesmo é saudável.
Vou aprendendo...



Por que Minas tem mais advogados e São Paulo mais depósitos de lixo tóxicos?
São Paulo escolheu primeiro.

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Perguntaram a uma dona de casa, a um contador e a um advogado:
"Quanto é dois mais dois?".
A dona de casa responde: "Quatro".
O contador diz: "Acho que é três ou quatro. Preciso executar a macro da minha folha de cálculo, mais uma vez".
O advogado diminui a intensidade da luz, entrefechando os olhos, e com tom suave pergunta:
"Quanto vocês querem que seja?".

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O que acontece com as piadas de advogados?
Os advogados não acham engraçadas...
E as outras pessoas não acham que sejam piadas!!!

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Que se chama: sem-vergonhice!

Dia destes, ouvi alguém refletir sobre a complexidade (negativa) do comportamento humano nos indivíduos que sofrem de "falta de vergonha".
Foi então que ficou fácil constantar que a falta de educação do brasileiro (e todo aquele pacote que vem junto: preguiça, desonestidade, excesso de esperteza e etc...) está diretamente ligada a sua falta de vergonha.

Sim, porque a pessoa que se importa, sente vergonha...
A pessoa que se importa em ter uma atitude rude ou errada diante dos outros, que se importa em ser reprovada, que se importa com a diminuição da auto-estima, que se importa em sair do grupo dos convenientes, dos agradáveis, dos desejáveis... etc...
Até que ponto pode chegar uma pessoa que não sente vergonha?!
Talvez seja este, o "enigma" maior do problema cultural dos tupiniquins!
O problema do brasileiro então é falta de educação? Não, definitivamente não é.... está cheio de político "polido" por aí, cheio de gente educadíssima que simplesmente não se importa!
O problema do brasileiro, parece ser antes de tudo: falta de vergonha... a falta de educação aqui neste país, há algum tempo é mero detalhe.

domingo, 26 de agosto de 2007

Vontade de Poesia!


Da vez primeira em que me assassinaram, Perdi um jeito de sorrir que eu tinha. Depois, a cada vez que me mataram, Foram levando qualquer coisa minha. Hoje, dos meu cadáveres eu sou O mais desnudo, o que não tem mais nada. Arde um toco de Vela amarelada, Como único bem que me ficou. Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada! Pois dessa mão avaramente adunca Não haverão de arracar a luz sagrada! Aves da noite! Asas do horror! Voejai! Que a luz trêmula e triste como um ai, A luz de um morto não se apaga nunca!

A Rua Dos Cataventos - Mário Quintana
Arte: Vladimir Kush.