quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Nota mental...

Cuidado com as palavras.
Depois de ditas ou escritas, elas não mudam de ideia.



sábado, 26 de dezembro de 2009

2009 - O ANO QUE NUNCA ACABA!


É certo que cada ano ou época de nossas vidas sempre nos ensina muito, mas para mim particularmente 2009 está sendo tão marcante, tão cheio de trancos e barrancos, que eu passei a chamá-lo de "o ano que nunca acaba".
Foi (e ainda é) um tempo de muitos estragos, de cicatrizes imensas, de mudanças bruscas, um ano de aprender "na marra" e tudo isso vai andar grudado comigo por todos os anos que ainda virão.
Em 2009 eu perdi a razão tantas vezes, eu chorei como nunca entre dores, muletas, pupilas dilatadas, morfina, velórios, hospitais, ambulância, delegacia... Foram muitos tombos, muitas noites em claro no travesseiro, tentando entender o motivo da bola de neve interminável de problemas: se era acaso, descuido, karma... Sigo aqui sem saber enquanto 2009 nunca acaba....
O ano sem fim perdura não só nos resultados práticos e em tudo aquilo que se aprende no exato momento de cada acontecimento, mas também naquelas coisas que servem de aprendizado para a vida inteira. O duro e teimoso 2009 me reconceituou os sentimentos mais básicos: amor, amizade, desprezo, saudade, solidão. Eu pensei que conhecia o sentido e a sensação de cada uma dessas palavras. 2009, que nunca acaba, me mostrou que não. Poucos, muito poucos mesmo, são os amigos e os amores que sobrevivem em meio ao caos. Antes eu achava que me faltavam mãos para contá-los, depois de 2009 eu aprendi que sobram dedos, mas que os poucos que ficam fazem valer os faltantes na qualidade.
2009, o ano que nunca acaba, ainda não acabou e eu sei que com o passar do tempo, apesar dos pesares, eu vou olhar para trás e saber que foi no ano que nunca acaba que eu comecei de fato a descobrir o melhor de tudo: da vida, dos outros e de mim.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O bom e velho "pé atrás".

"Para se conhecer algo verdadeiramente, é preciso dar-lhe a volta inteira"... ensina Saramago, no documentário 'Janela da Alma'.

Ele não disse e nem precisava ter dito, ainda que quisesse, que essa idéia/conselho, serve mesmo só para as coisas. Não tente dar a volta inteira numa pessoa com a intenção de conhecê-la. Não tente a volta inteira, nem meia volta, nem de lado, de ponta cabeça, não tente virar do avesso! Não vire, revire, não aperte, não pressione.... Não importa quanto esforço faça. Não importa quanto saiba, não saiba ou pense que sabe, não adianta omitir-se, deixando que o avesso seja espontâneo. Não importa..... sempre, sempre, (sempre) haverá a possibilidade de encontrar uma passagem secreta, areia movediça, fundo falso, buraco negro no espaço do desconhecido do outro ou da própria expectativa!!!

Não pule de cabeça... qualquer das opções acima, pode ter metros e metros surpresa de queda livre no abismo.

E eu não falo de amor e nem poderia.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Solução?!

[...]

Para que eu continue humana, meu sacrifício será o de esquecer? Agora saberei reconhecer na face comum de algumas pessoas que - que elas esqueceram. E nem sabem mais que esqueceram o que esqueceram.

[...]

C. Lispector in A Paixão Segundo G.H.

sábado, 22 de novembro de 2008



E chove, como chove...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Companheira, Insônia.

Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.

Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

[...]

Insônia - Álvaro de Campos.


sexta-feira, 31 de outubro de 2008

os bons amigos!

O friozinho também chegou por aqui, não foi regado por sopa de ervilha, mas as ervilhas estiveram presentes, foram comidas purinhas, com colher, como se faz quando se é criança... Buena Vista Social Club na prateleira e no msn dos bons amigos. Eu, aqui, ao som do Beirut, banda melancólica adorável, apresentada por um desses bons amigos. Em alguns dias, só mesmo eu e os bons amigos para salvar a noite. É muita sintonia, meu bem!


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Dia Nacional do Livro!



Um livro é sempre um bom lugar!
:)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Conclusões sobre o omisso.

O omisso é aquele sujeito que é tão covarde que não consegue nem dar-se ao trabalho de ser mentiroso. É a pessoa que a gente acha que conhece, mas que um belo dia se traduz numa farsa com pernas. Sim, é habitual desse tipinho, ser, mostrar e fazer-se conhecer apenas até onde lhe convém… e a seleção de detalhes com permissão de expressividade muda em cada caso concreto ou pessoa alvo. O omisso é o único tipo capaz de fazer o mentiroso parecer menos pior. O mentiroso “se dispõe” ao menos a criar uma realidade fantasiosa e mesmo não conscientemente, corre o risco de ser descorberto e ter que assumir o pacote de dissimulação... mentir, no mínimo, despende mais esforço. O omisso faz pouco caso, é o duas caras… três, quatro… quantas ele escolher, dependendo apenas da fatia da sua realidade que ele permite que a outra pessoa conheça e participe. É o fulano que pode ser quem ele quiser, é um personagem, é uma mentira, assim como o é o tradicional mentiroso… mas é dono da pior forma de covardia, aquela que tenta se eximir de QUALQUER comprometimento. É a covardia do absurdo!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Runaway!

Acontece com todo mundo. Tenho certeza que acontece!
Aqueles dias em que a gente não se ajeita no sofá, não acha posição na cadeira, a cama é muito fofa, o travesseiro muito duro, o carro muito quente, a casa muito vazia, a rua muito cheia e todas as pessoas que conhecemos enjoadas e cansativas!
Esses são os dias de querer sumir, correr, fugir, viajar... pra qualquer lugar onde tudo seja novo e não dê tempo de se entediar com nada.

Viajar é preciso! Ou seria renascer?

.

"...Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisar viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver".
[Amyr Klink]

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Para atravessar AGOSTO...

Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro - e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.

Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir. Dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons deixam a vontade impossível de morar neles; se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições. Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos, de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzsche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem: qualquer problema, real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos.

Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos - ou precauções - úteis a todos. O mais difícil: evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile a fantasia, categoria originalidade... Esquecê-lo tão completamente quanto possível (santo zap!): FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.

Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um.Pode ser Natália Lage, Antônio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún, ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à luz da lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.

Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se ou lamuriar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques - tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informação para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire, a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas - coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo; evasão, escapismos. Assumidos, explícitos.

Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter demais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco.

Sugestões para Atravessar Agosto.
Caio Fernando Abreu.
(O Estado de São Paulo, 06/08/95).

domingo, 3 de agosto de 2008

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"Se canto sou ave, se choro sou homem
se planto me basto, valho mais que dois
quando a água corre, a vida multiplica
o que ninguem explica é o que vem depois... "

Ney Matogrosso

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Vive La France!



Essas são algumas caras que retratam o resultado da comemoração da queda da Bastilha!
Dá-lhe viiiiinho!

Brincadeiras a parte, depois de alguns dias de silêncio... aquele meu silêncio, o sempre necessário à senhorita Lula Molusco... aqui está a tua pequeníssima homenagem, meu anjo-amigo-irmão. O único que entende o abajur cor de carne e que seria capaz de viajar um quase total de 20 horas de carro comigo (ou melhor, eu com ele) para SP e ainda afirmar que eu não causo nenhum tipo de overdosagem.

A resposta ao teu post sobre amizades desinteressadas e mais importante ainda, despreocupadas quanto a palavras ou níveis de demonstração afetiva, acontece diariamente.

Amo-te.
;)
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terça-feira, 8 de julho de 2008

...



Quando a criança era criança
andava balançando os braços
e não sabia que era criança
queria que o riacho fosse rio
que o rio fosse torrente, e poça d’agua, mar
e tudo era cheio de vida
e a vida era uma só.

Quando a criança deixou de ser criança
o mar já se transforma em rio
e o rio em poças e as poças em gotas d’agua
e as gotas d’agua no vento seco do deserto
e desapareceram as asas e houve o regresso
ao único átomo e suas derradeiras partículas
e a criancinha loura então aprendeu a dançar.

E quando a criança não era mais criança
ficou imóvel com os braços e o sorriso
e não acreditou mais que o riacho era rio
e o rio torrente e a torrente era o mar
e viu que nem tudo era cheio de vida - e também
que já tinha hábitos e opiniões e sabia dançar
e a vida, enfrentando-a, não era uma só

e já não havia mais nem asas nem a magia do tempo.

Álvaro Pacheco, in Asas de Criança.

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Arte de Kelly Vivanco.



segunda-feira, 23 de junho de 2008

Que venham as novas janelas!



Alegria, sorte, mudança, esperança, sorrisos, muitos sorrisos em El Salvador!

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Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.

Mundo Grande - Drummond.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Alguém disse...

Nada se penetra, nem átomos, nem almas. Por isso nada possui nada. Desde a verdade até a um lenço tudo é impossuível. A propriedade não é um roubo: não é nada.

Lagoa da Posse
Livro do Desassossego - Bernardo Soares (Fernando Pessoa).

segunda-feira, 16 de junho de 2008

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Feliz Dia dos Namorados!



André Gorz e Dorine.

Quem quiser entender o motivo de estarem aqui, no dia dos namorados.... tem um montão de coisas na internet sobre eles... ou leiam o Carta a D.
A história faz valer a pesquisa.