sábado, 8 de março de 2008

dia internacional das mulheres da minha vida!
















............................................ again!

There‘s a science fiction in the space between

You and me

A fabrication a grand scheme

Where I am the scary monster

I eat the city and as I leave the scene

In my spaceship I am laughing

In your remembrance of your bad dream

There’s no one but you standing

.

Telling Stories - Tracy Chapman.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Não-feito acumulado.

"E me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com leve delicadeza, deixando claro em cada promessa não cumprida que nada devo esperar além dessa máscara colorida ... que me queres assim porque assim é que és, e unicamente assim é que me queres e me utilizas todos os dias, e nos usamos honestamente assim, eu digerindo faminto o que teu corpo rejeita, bebendo teu mágico veneno que me ilumina e anoitece a cada dia, e passo a passo afundo nesse charco que não sei se é o grande conhecimento de nós dois ou o imenso engano de ti e de mim ... nos afastamos depois cautelosos ao entardecer, e na solidão de cada um sei que tecemos lentos nossa próxima mentira, tão bem urdida que na manhã seguinte será como verdade pura e sorriremos amenos, desviando os olhos, corriqueiros ... à medida que o dia avança e estrutura milímetro a milímetro uma harmonia que só desabará levemente em cada roçar de olhos ou de peles, os vermes roendo esses porões que insistimos em manter indevassáveis até que o não-feito acumulado durante todo esse tempo cresça feito célula cancerosa para quem sabe explodir em feridas visíveis indisfarçáveis, flores de um louco vermelho na superfície da pele que não tocamos por nojo ou covardia ..."

Caio Fernando Abreu, in À beira do mar aberto.

terça-feira, 4 de março de 2008

Viva a Ironia... Estrelando: O Casamento!


Casamento é bom, mas acho que é levar o amor um pouco longe demais. - Texas Guinan.


Minha primeira mulher era muito infantil quando nos casamos. Um dia, eu estava tomando banho na banheira e ela afundou todos os meus barquinhos sem o menor motivo. - Woody Allen.


[Explicando por que nunca se casou:]
Não consigo me acasalar em cativeiro. - Gloria Steinem.


Entrei para os Casados Anônimos. Quando me dá vontade de casar, eles me mandam uma mulher de roupão e rolinhos no cabelo, para me queimar a torrada. - Dick Martin.


Por que uma mulher dá duro durante dez anos para mudar os hábitos do seu marido e depois se queixa de que ele não é mais o homem com quem ela se casou? - Barbra Streisand.


[Desculpando-se com sua mãe, Judy Garland, por não poder comparecer a um dos seus casamentos:]
Desculpe, mamãe. Irei no próximo. - Liza Minnelli.


............


Ruy Castro in Mau Humor - Uma Antologia Definitiva de Frases Venenosas.

GOD DYLAN JR!




Carinho para os ouvidos e para os olhos (suspiros)!
Jakob Dylan (filho do Bob Dylan): The Wallflowers - One Headlight.

domingo, 2 de março de 2008

Nosso Feitiço de Áquila!



Toda a força dos meus pulmões para longe soprar-te ventos de sorte e sucesso.
Avante, Cap. Etienne Navarre!


Com amor,
Isabeau d'Anjou.

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Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Fernando Pessoa, 2-8-1933.

sábado, 1 de março de 2008

NÃO É FADO, PAI... É MORNA!



Para lembrar do meu pai:
Cesária Évora e Marisa Monte - Mar Azul.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

......



“É preciso ter força pra rir, relaxar e ser leve, a tragédia é ridícula.”



Frida Kahlo

sábado, 23 de fevereiro de 2008

bande dessinée...(clique na tirinha).






ficou minúsculo... cliquem nas tirinhas.
:)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Mia Wallace and Vincent Vega!






Quentin Tarantino,
Pulp Fiction (1994).


sábado, 16 de fevereiro de 2008

18/02: até logo, boemia!



[...]

Eu faço samba e amor até mais tarde;

E tenho muito sono de manhã...

Samba e Amor - Chico Buarque.

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Foto: Luiz Fernando Leite.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Valentine`s Day é o CARVALHO!


É pau, e rei dos paus, não marmeleiro,

Bem que duas gamboas lhe lobrigo;
Dá leite, sem ser árvore de figo,
Da glande o fruto tem, sem ser sobreiro:

Verga, e não quebra, como zambujeiro;
Oco, qual sabugueiro tem o umbigo;
Brando às vezes, qual vime, está consigo;
Outras vezes mais rijo que um pinheiro:

À roda da raiz produz carqueja:
Todo o resto do tronco é calvo e nu;
Nem cedro, nem pau-santo mais negreja!

Para carvalho ser falta-lhe um U;
Adivinhem agora que pau seja,
E quem adivinhar meta-o no cu.

Soneto do Pau Decifrado - Bocage.
Do Livro: As 100 Melhores Histórias Eróticas da Literatura Universal.

p.s.: achei melhor não colocar ilustração! ohoho.... ;)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

www.markryden.com


A Dog Named Jesus
The Meat Show Gallery - Oil on Panel, 1997.



Girl Eaten by Tree
The Tree Show Gallery -
Oil on canvas, 2006.




The Ox Suckling Romulus and Remus
The Meat Show Gallery -
Oil on Panel, 1997.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008


Do Desenho dos Números

O oito é o número mais inviolável que existe,
porque é uma trança.
O zero é um anel, mas parece mistério que união ele sela.
A diferença entre o oito e o zero é que o zero rompeu o laço.
O zero é um caminho circular.
O oito é um caminho circular repleto de paisagens transversais.
O zero é um buraco, o oito, o cenário de uma rampa infinita.
O zero é livre, o oito não.
O oito vive, o zero é,
ou não.

.

Brincadeira gráfica-poética de Othon D`Eça, o irmão.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

CURTO PESSOAS!



Uma das estampas (clique nela para ver maior), criadas pelo meu irmão-orgulhinho, que ainda não foi lançada e quando for, ninguém tasca que eu vi primeiro!
E "curto pessoas" tanto, tanto, que o comia com molho de tomate, azeite de oliva, alho e manjericão... sorte dele que nascemos em tempos distintos... NHAC!


.


Um hálito de música ou de sonho, qualquer coisa que faça quase sentir, qualquer coisa que faça não pensar.

Fragmento 28, da Autobiografia Sem Factos - Fernando Pessoa in O Livro de Desassossego.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Todo carnaval tem seu fim... ou não. ;)








Fotos integrantes do livro de fotografias que ELE acaba de lançar, chamado: Retratos de Carnaval.
O próprio na última foto....
Mais do carnaval que ainda está por vir e de novos trabalhos dele... aqui, em breve.

(F)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A TELEVISÃO MATOU A JANELA!



O dono da frase é o Nelson Rodrigues.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

a ilha sorri em março.



Minha querida Joaquina.
Gosto tanto... assim, vazia!

.

No iPod: Mama You Got A Daugher :: John Lee Hooker.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

C.EGO.S!




Não dá para ver o mundo através do espelho...

.

Ilustração: M.C.Escher - Eye 1946.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Vê mais um SUBMARINO!



Melhor aniversário de todos os tempos e a ressaca que mais valeu a pena...
E eu ainda sobrevivi ao submarino de
Steinhaeger, apesar da tentativa da mesa INTEIRA em me derrubar! (paaaaaaau!)

P.S1.: tá faltando bastante gente na foto... mas o muito obrigada é para todos que foram!
P.S2.: o olhar apaixonado do Moriga para o além, não tem preço.
P.S3.: depois da meia-noite já era aniversário do Rafael (de vermelho ao meu lado)... felicidades para ele!
P.S4.: a garçonete loirinha soltou fogos de artifício quando fomos embora... e a culpa é dos meninos... seus tarados!!!
P.S5.: a quantidade de vezes que cantaram parabéns foi tão grande que não precisa mais, por uns 10 anos! ahahaha
P.S6.: aviso aos navegantes: já arrumei nossa programação para sexta-feira, eeeeeeeeeeeee!

.

Vai ter uma festa

que eu vou dançar

até o sapato pedir pra parar.

aí eu paro

tiro o sapato

e danço o resto da vida.


Chacal.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Aniversário: soma ou subtrai?!



Desafiando a minha brincadeira dos eternos 25 anos, a realidade pré-balzaquiana começa a aparecer nas pequenas coisas e (já não era sem tempo) na minha nova percepção da presença dos belos homens de 30 e pouco anos à minha volta... eles e a sua charmosa têmpora sutilmente prateada!

8 de janeiro, Feliz Aniversário para mim e para o Elvis Presley!!!

.

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

Alberto Caeiro.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Aprendiz do INCONDICIONAL!



Por tudo o que me deste
inquietação cuidado
um pouco de ternura
é certo mas tão pouca
Noites de insônia
Pelas ruas como louca
Obrigada, obrigada

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão
Que bem que me faz agora
o mal que me fizeste
Mais forte e mais serena
E livre e descuidada
Sem ironia amor obrigada
Obrigada por tudo o que me deste

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui.


Canção Grata - Florbela Espanca.


sábado, 5 de janeiro de 2008

DESABAFA, MINHA FILHA!

Ivan Lessa, disse que: "Todo homem tem o sagrado direito de ser um imbecil por conta própria" e, apesar de nem todos o exercerem, é impressionante a integral dedicação de alguns homens (?) em defesa deste direito.




Foi a mamãe que ensinou, será? Ou foi a vovó?!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

um presente para mim.


Não é palpável e ultrapassa o valor puro e simples da intenção... é como abrir as portas e janelas de si mesmo e estendê-las ao infinito para o outro... é permitir a construção de uma ponte entre almas e generosamente dividir a descoberta de um caminho e apontar a direção.
Melhor presente não há.
.... Obrigada!



Os inocentes do Leblon
não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe imigrantes?
trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.

Inocentes do Leblon.
Carlos Drummond de Andrade, in Sentimento do Mundo.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Feliz Ano Novo!

Procuro uma alegria
uma mala vazia
do final de ano
e eis que tenho na mão
- flor do cotidiano -
é vôo de um pássaro
é uma canção.


Carlos D. de Andrade
(Dezembro de 1968)

sábado, 29 de dezembro de 2007

no batuque do coração do fotógrafo.



Fotografias por Gabriel Rinaldi.

Gabriel Rinaldi, pessoa especialíssima, florianopolitano apaixonado por esta ilhota, mora há algum tempo nos EUA, e formou-se em fotografia no primeiro semestre deste ano, pelo Rochester Institute Of Technology.

Outros trabalhos dele, podem ser vistos
AQUI, e eu recomendo um em especial, que eu tive oportunidade de ver de pertinho... chama-se: Portraits Of Carnival, realizado no carnaval passado, num trabalho bem bacana com a comunidade da escola de samba Consulado.

A primeira foto aqui publicada (minha favorita dentre as dele), foi feita no carnaval também, no Bloco de Sujos..... a propósito, uma dessas cabecinhas, deve ser a minha!
A segunda, é do trabalho com a Consulado, no ensaio oficial da escola, lá na Praça XV.

Outros links dele:

http://www.fotolog.com/gabrielrinaldi
http://www.phototrends.blogspot.com

Enjoy!!!

Bande dessinée!




P.S.: E se um dia (num futuro distante) eu tiver um filho... o universo, Deus, a mãe natureza, o espermatozóide vencedor ou sejá lá o que for, já sabem: favor providenciar-me uma criaturinha assim... "a la Calvin".

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

tarde demais, babe!



"....a sabedoria nos chega quando já não serve para nada."


Gabriel García Márquez,
in O Amor nos Tempos do Cólera.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

JINGLE BELL!!!




Eu não sei o que é pior... as mensagens tradicionalmente ternas (quase surreais) e natalinas ou o avesso das tradicionalmente natalinas cheias de rancor e anti-hipocrisia.


Eu fico com as tradicionalmente natalinas e irônicas.
Viva a ironia!!!


..................


Não gosto do Natal. Não chego a odiar mas não gosto. Nunca gostei. Desde pequeno, no interior. Papai Noel sempre me assustou. Gostava de preparar a árvore com dias de antecedência, apesar de não concordar em colocar algodão para "simbolizar" a neve. Gostava de imaginar os presentes. Aliás, não gosto nem de dar e nem de receber presentes em datas certas. O presente é bom quando você não espera. No aniversário, Natal, Dia da Criança, depois Dia dos Pais, acho um saco de Papai Noel. O presente, conforme a palavra em si se explica, é uma presença. Portanto, não pode ser datada. Não deve ser uma obrigatoriedade.


Além de não gostar do Natal, em alguns aspectos, ele chega a ser irritante: Em vários aspectos. Senão, vejamos:


— Quer coisa mais irritante durante o mês de dezembro do que ir a um barzinho ou restaurante, de noite, para tomar um chopinho e ter, ao seu lado, aos gritos, berros e urros, uma "festinha da firma", com risos histéricos, discursos profundos e etílicos do "chefe", gozações com a "gostosa" da firma e a indefectível troca de "amigos secretos?" Por que gritam tanto nas "festinhas da firma?" E quando você vai ao banheiro sempre tem um ou dois funcionários burocraticamente vomitando. Como se vomita no Natal! Principalmente os bancários.

— E o "amigo secreto" então? Já notaram que sempre sai para quem não é nem muito amigo e muito menos muito secreto? E você passa o mês inteiro tendo que imaginar o que vai dar praquele chato. Se o "amigo secreto" já é uma relação constrangedora na firma, em família então, nem se fala. Em primeiro lugar, porque dois ou três dias depois do "sorteio", todo mundo já sabe quem é o amigo de quem. Você já sabe pra quem vai dar e de quem vai receber. Essas informações sempre vazam no seio familiar. Sempre tem uma irmã que sabe de todos, ninguém sabe como. E você que torceu para não sair aquela prima fofoqueira, pois é justamente com ela que você vai se abraçar logo mais. E dizer todas aquelas frases. Todas, são insubstituíveis.

— E as propagandas de Natal? Existe coisa mais horrível que este bando de gordos com brancas barbas, puxados por veadinhos? A publicidade brasileira é uma das melhores do mundo, perdendo talvez apenas para a inglesa. Mas, chega o Natal, baixa o "espírito natalino" nos criadores das agências e dá no que dá. Eles não conseguem (há 1.994 anos) fazer um único anúncio sequer decente nessa época. São constrangedores, amadores, dignos de um Papai Noel de mentirinha. Tem uns, mais "criativos", que até neve têm, debaixo dos 40 graus de dezembro.

— E aqueles Papais Noéis que vão de casa em casa e os pais obrigam as criancinhas a dar beijo naquele sujeito imenso, barba descolada, sapatão de militar, já meio bêbado depois de passar em várias casas de amigos e parentes? As criancinhas esperneiam, não dormem semanas seguidas, sonhando com aquele monstro que o pai fez beijar. Meu Deus, é um outro pai que eu tenho?, devem pensar os pequenininhos da família. E o monstro ainda diz "coisas" para os indefesos, presos nos braços do pai ou da mãe, quiçá da avó: este ano, não vai fazer malcriação, vai comer toda a papinha, não vai mentir e nem fazer xixi na cama, viu, Rony? Coitados.

— Mas o pior mesmo é a ceia, propriamente dita. Com o passar dos anos, a família vai crescendo e de repente já são quatro gerações que estão ali, de olho no peru. Umas 50 pessoas. E ali dá de tudo. Cunhados que não se falam, a velhinha que não escuta os planos do asilo, o fulano que está falido, coitado, a prima que está dando para um sobrinho, aquele casal que está separado mas que, no Natal, baixa o "espírito" e eles comparecem juntos. Todo mundo sabe que se odeiam. Mas é Natal. Aquele tio que deve tanto para o seu irmão também está lá. Mas é Natal. E a irmã que não pagou a trombada que ela deu com o carro do tio-avô? Tudo é permitido. Afinal, é Natal. Nasceu quem mesmo? Jesus, não foi? E, por isso, à meia-noite, todos dão as mãos e rezam (des)unidos.

— E, para terminar: existe música mais chata que Jingle Bell?

Já o Reveillon, é o maior barato. É quando tomamos o porre para tirar e esquecer a ressaca do Natal. Mas não adianta. No ano que vem, tem outro Natal.

Jingle Bell Prá Vocês - Mário Prata.

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Texto extraído do livro "100 Crônicas", Cartaz Editorial - São Paulo, 1997. pág. 148

domingo, 23 de dezembro de 2007

Vontade de POESIA.


Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

Fernando Pessoa

foto: Miguel Rita.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Esquece, escuta!

"Quanto mais esquecido de si mesmo está quem escuta, tanto mais fundo se grava nele a coisa escutada..."

Walter Benjamin

domingo, 16 de dezembro de 2007

PESCANDO OTIMISMO.



Conseguiste penetrar numa bola de cristal,
depois da catástrofe?
Miragens do inefável incêndio emudeceram nas lonjuras
e o trampolim das maravilhosas pinturas reais
estendeu uma mão acolhedora, singrada de preciosos anéis,
e um abraço encantado e santo.

E não irás mais amaldiçoar a Vida,
pois agora és um Mago.
A madeira ainda estala nos bosques da tua primeira bem-aventurança.
Nas manhãs não vai deixar de te sobreviver,
como numa primeira pronúncia,
o agora já sabido sopro singular.


Othon D`Eça Neves.
(mon frère)
http://www.kindertraum.blogspot.com
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Pintura de James Tissot - Le Printemps.

sábado, 15 de dezembro de 2007

R.I.P. "MOTIVAÇÃO".



A fabulosa arte de desistir...

Pessoas possuem uma incrível e lamentável capacidade de matar quem está ao redor... todas as pessoas, sem exceção. Mas algumas pessoas são realmente muito boas nisso, verdadeiras especialistas. Donas de um poder de aniqüilamento tão aguçado que toda vez em sua preseça (ou nem precisa que estejam presentes de corpo) é uma morte, no mínimo.
Há algum tempo, felizmente, entendi que o remédio é desistir...se deixar matar e aprender a ressuscitar depois.... a princípio parece mais difícil, mas no fundo é a melhor alternativa do ponto de vista de crescimento, muito melhor do que ir "sobrevivendo".

Eu "vivo morrendo", morro quase todo dia.
Com algumas pessoas eu chego a morrer de 10 em 10 minutos.

Ontem, eu morri mil vezes numa única e breve madrugada.
O que durante meses foi motivação e inspiração, virou suicídio em queda livre, do prédio mais alto que minha imaginação foi capaz de criar.... não quis esperar ser morta pela milésima primeira vez, matei-me de uma só vez....espatifei em pedaços, de peito e cara no chão, para não ter que continuar "sobrevivendo" a algo que na minha (sempre) tola ilusão, tinha um potencial enorme.

*Plaft!*


.....


[...]

Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge...


Álvaro de Campos (Fernando Pessoa).

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

"morgan" de toi!


Je viens du ciel et les étoiles entre elles ne parlent que de toi...

....................................

[...]

Amor é a grande desilusão de tudo mais.
Amor é finalmente a pobreza.
Amor é não ter inclusive amor...
É a desilusão do que se pensava que era amor.
Amor não é prêmio por isso não envaidece.

C. Lispector - A Legião Estrangeira.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

FATIGANTE!

Pro inferno os molengas, os invejosos, os inconvenietes, os limitados, os iludidos, os pobres de espírito e os covardes.... ah, os covardes, esses merecem mais que o inferno... merecem o céu LOTADO de crentes!!!!




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"eu só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder..."

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Paraíso das Águas.



Rio São Francisco - Alagoas.


Viagem que fiz com a minha irmã para Maceió, em janeiro de 2006.
O nordeste não tinha grande impacto, até que conheci a chamada de "Paraíso das Águas": Maceió.
Entendi logo o motivo do apelido e encantei-me por ela.
Dos oito dias de viagem, pelo menos quatro deles, foram dentro d`água...

O refrão da música que tocava por TODOS os cantos e que ficou grudado na cabeça durante toda a viagem dizia assim:

"Ai que saudade do céu, do sal, do sol de Maceió..."

.

Saudade de Maceió, enfim...

domingo, 9 de dezembro de 2007

Epístrofes aos montes!

Nessa madrugada, duas coisas:

1) Um poema do Drummond, que eu gosto muito (de tão lindo, chega a doer)... para ajudar a sossegar a cuca... (em seguida);

2) Um vasto "não saber" se posso/consigo/devo ou se adianta ser mais direta do que tenho sido!!!

......................................................

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Amar - Carlos Drummond de Andrade.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

don't think twice.


"O passado passou para nós, mas não nós para o passado..."
Magnólia (O Filme), Paul Thomas Anderson, EUA - 1999.

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-> Secret Garden - Bruce Springsteen

AH, O ACASO...


Bref dans un acte où le hasard est en jeu, c`est toujours le hasard qui accomplit sa propre Idée en s`affirmant ou se niant. Devant son existence la négation et l`affirmation viennent échouer. Il contient l`Absurde - l`implique, mais à l`état latent et l`empêche d`exister: ce qui perment à l`Infinit d`être.

-

Ao pé da letra é mais ou menos isso:


Breve, num ato onde o acaso está em jogo, é sempre o acaso que realiza a sua própria Idéia, afirmando-se ou negando-se. Frente a sua existência, a negação e a afirmação acabam de fracassar. Ele contém o Absurdo - implica-o, mas em estado latente e o impede de existir: o que permite ao infinito ser.

Igitur ou La Folie d`Elbehnon - Le Coup de Dés - Stéphane Mallarmé


.


A primeira foto é da subida do morro da Lagoa... indo ao encontro do céu... no mirante, mais a frente (a segunda foto), numa "matada" de aula de Direito Civil, no dia 31/10, num daqueles urgentes momentos de "necessária solidão".

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Fast Car :: Tracy Chapman.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O IMPOSSÍVEL!

"(...) Até os 10 anos eu era capaz de acreditar em até 3 coisas impossíveis antes do meio-dia.(...)"

- Lewis Carroll -


*imagem do filme: Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain, de Jean-Pierre Jeunet - France (2001).

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Ah, núcleo accumbens, danadinho!


Fico verdadeiramente contente de não ter nascido homem, e se eu tivesse nascido homem, tenho certeza ABSOLUTA de que seria viado.
Primeiro pelo fato de que gostar de mulher exige um esforço sobre-humano, depois e por fim, porque na piadinha machista-popular que diz: "quem gosta de pinto é viado, mulher gosta mesmo é de dinheiro", eu continuo estranhamente, fazendo parte do primeiro grupo, éééé!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

la nostalgie...



Elle est pas terroriste, elle est pas anti-terroriste
Elle est pas integriste, elle est pas seule sur terre
Elle est pas commode, non elle est pas comme Aude
Elle est pas froide, elle est pas chaude pour nu realiste
Elle est pas crediteur
Elle est pas mechante, mais putain qu'est ce qu'elle est chiante
Elle est pas interimaire, elle est pas comme ma mere
Elle est passagere, elle est pacifiste,
Elle est pas d'accord, elle est passionnee
Elle est pas fute fute, elle est pathetique, elle aime pas tous mes tics
Elle est pas solitaire, elle est pas solidaire, elle est paresseuse
Elle est pas reciproque, elle est pas en cloque
Elle est pas d'la region PACA, elle a qu'a s'envoler
Elle est parisienne, elle est pas presentable,
Elle est pas jolie, elle est pas moche non plus,
Elle est pas a gauche, elle est pas a droite, elle est pas maladroite
Elle est pas terroriste, elle est pas anti-terroriste
Elle est pas jolie, elle est pas moche non plus
Elle est pas toujours drole, elle est pas libre
Elle est pas tentee, elle est paternaliste
Elle est pas inspiree, elle est patiente
Elle est pasticheuse elle est pas cible, elle fait pas la politique
Elle l'a pas vole, elle passing-shot
Elle est passe-temps, elle est pas stable
Elle est passable, elle est pas partout
Elle dit qu'elle partira ou elle est meme pas venue
Elle est partisane, elle est pas pas pas sortable
Et ça j'vous l'ai pas pas deja dit
Qu'elle est parisienne, elle est parisienne
Elle est pas terroriste, elle est pas terroriste


Louise Attaque.

domingo, 25 de novembro de 2007

NÃO É O PARAÍSO, É UM CIRCO!


Arrogante, podem me chamar de arrogante!
Cada vez que eu saio para um programa descente nesta cidade, mais eu entendo o motivo deles serem tão raros e mais me convenço de que as pessoas daqui devem mesmo fazer o favor de continuar indo nos terríveis shows de hip hop e saindo para dançar em boates onde as pessoas são tão iguais que parecem saídas de uma fábrica... produzidas em série.

Camerata de Florianópolis, nesta última sexta-feira, o repertório era: músicas de cinema. Filmes que foram sucesso no século XX. Idéia genial, músicos e performances excelentes, e uma platéia de dar vergonha.....um eterno entra e sai, celulares tocando, gente com criancinhas de colo que abrem um berrero no meio da apresentação, pessoas conversando sem parar e aplausos nas horas mais inoportunas possíveis... eu juro, eu nunca tinha visto a platéia acompanhar orquestra de música erudita com palmas, na minha vida... parecia um circo ou programa de auditório, sei lá...

Toda apresentação com um conteúdo um pouco melhor é assim, sentimentos contraditórios... por um lado o prazer da apresentação em si, por outro o desgosto de constatar, mais uma vez (e todas as vezes) que esta ilhota pronviciana onde nasci é linda, com suas 42 praias e cheia de gente vazia sem o mínimo de conveniência!

........................................


"Bem atrás do pensamento tenho um fundo musical."
- Clarice Lispector


domingo, 18 de novembro de 2007

COMO?

Lembre-se dos elogios que recebe.
Esqueça os insultos.
(Se conseguir fazer isso, me diga como).


Sunscreen.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

EU QUERIA TER UMA BOMBA!


Ou são os dias estranhos, ou é excesso de Heroes, ou é um desejo homicida contido... mas que eu queria ter uma bomba, eu queria. Hoho!

Solidão a dois de dia. Faz calor, depois faz frio. Você diz "já foi" e eu concordo contigo. Você sai de perto eu penso em homicídio. Mas no fundo eu nem ligo. Você sempre volta com as mesmas notícias. Eu queria ter uma bomba. Um flit paralisante qualquer. Pra poder te negar... Bem no último instante. Meu mundo que você não vê. Meu sonho que você não crê.

Cazuza (estou LONGE de ser fã dele).

sábado, 3 de novembro de 2007

VOCÊ INDO EMBORA...


...Eu parado na porta às quatro da manhã. Você indo embora. Eu me perdendo então desamparado entre cinzeiros cheios e garrafas vazias. Você indo embora. Eu indeciso entre beber um pouco mais ou procurar uma beata em plena devastação ou lavar copos, bater sofás, guardar discos, mastigar algum verso, adoçando o inevitável amargo, despertar para depois deitar, partir, morrer, sonhar... quem sabe. Você indo embora. Acordar na manhã seguinte com gosto de corrimão de escada na boca: mais frustração que ressaca, desgosto generalizado que aspirina alguma cura. Tocaria o telefone? Você indo embora, fotograma repetido. Na montagem, intercalar. Você indo embora, você indo embora....

Caio Fernando Abreu.