




There‘s a science fiction in the space between
You and me
A fabrication a grand scheme
Where I am the scary monster
I eat the city and as I leave the scene
In my spaceship I am laughing
In your remembrance of your bad dream
There’s no one but you standing
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Telling Stories - Tracy Chapman.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.
Fernando Pessoa, 2-8-1933.

Do Desenho dos Números
O oito é o número mais inviolável que existe,
porque é uma trança.
O zero é um anel, mas parece mistério que união ele sela.
A diferença entre o oito e o zero é que o zero rompeu o laço.
O zero é um caminho circular.
O oito é um caminho circular repleto de paisagens transversais.
O zero é um buraco, o oito, o cenário de uma rampa infinita.
O zero é livre, o oito não.
O oito vive, o zero é,
ou não.
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Brincadeira gráfica-poética de Othon D`Eça, o irmão.

Vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.
aí eu paro
tiro o sapato
e danço o resto da vida.
Chacal.
Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.
Alberto Caeiro.


Os inocentes do Leblon
não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe imigrantes?
trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.
Inocentes do Leblon.
Carlos Drummond de Andrade, in Sentimento do Mundo.


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Texto extraído do livro "100 Crônicas", Cartaz Editorial - São Paulo, 1997. pág. 148
foto: Miguel Rita.

Conseguiste penetrar numa bola de cristal,
depois da catástrofe?
Miragens do inefável incêndio emudeceram nas lonjuras
e o trampolim das maravilhosas pinturas reais
estendeu uma mão acolhedora, singrada de preciosos anéis,
e um abraço encantado e santo.
E não irás mais amaldiçoar a Vida,
pois agora és um Mago.
A madeira ainda estala nos bosques da tua primeira bem-aventurança.
Nas manhãs não vai deixar de te sobreviver,
como numa primeira pronúncia,
o agora já sabido sopro singular.
Othon D`Eça Neves.
(mon frère)
http://www.kindertraum.blogspot.com
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Pintura de James Tissot - Le Printemps.

[...]Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge...
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa).

[...]
Amor é a grande desilusão de tudo mais.
Amor é finalmente a pobreza.
Amor é não ter inclusive amor...
É a desilusão do que se pensava que era amor.
Amor não é prêmio por isso não envaidece.
C. Lispector - A Legião Estrangeira.
Bref dans un acte où le hasard est en jeu, c`est toujours le hasard qui accomplit sa propre Idée en s`affirmant ou se niant. Devant son existence la négation et l`affirmation viennent échouer. Il contient l`Absurde - l`implique, mais à l`état latent et l`empêche d`exister: ce qui perment à l`Infinit d`être.
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Ao pé da letra é mais ou menos isso:
Breve, num ato onde o acaso está em jogo, é sempre o acaso que realiza a sua própria Idéia, afirmando-se ou negando-se. Frente a sua existência, a negação e a afirmação acabam de fracassar. Ele contém o Absurdo - implica-o, mas em estado latente e o impede de existir: o que permite ao infinito ser.
Igitur ou La Folie d`Elbehnon - Le Coup de Dés - Stéphane Mallarmé
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A primeira foto é da subida do morro da Lagoa... indo ao encontro do céu... no mirante, mais a frente (a segunda foto), numa "matada" de aula de Direito Civil, no dia 31/10, num daqueles urgentes momentos de "necessária solidão".
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Fast Car :: Tracy Chapman.


Solidão a dois de dia. Faz calor, depois faz frio. Você diz "já foi" e eu concordo contigo. Você sai de perto eu penso em homicídio. Mas no fundo eu nem ligo. Você sempre volta com as mesmas notícias. Eu queria ter uma bomba. Um flit paralisante qualquer. Pra poder te negar... Bem no último instante. Meu mundo que você não vê. Meu sonho que você não crê.
Cazuza (estou LONGE de ser fã dele).
...Eu parado na porta às quatro da manhã. Você indo embora. Eu me perdendo então desamparado entre cinzeiros cheios e garrafas vazias. Você indo embora. Eu indeciso entre beber um pouco mais ou procurar uma beata em plena devastação ou lavar copos, bater sofás, guardar discos, mastigar algum verso, adoçando o inevitável amargo, despertar para depois deitar, partir, morrer, sonhar... quem sabe. Você indo embora. Acordar na manhã seguinte com gosto de corrimão de escada na boca: mais frustração que ressaca, desgosto generalizado que aspirina alguma cura. Tocaria o telefone? Você indo embora, fotograma repetido. Na montagem, intercalar. Você indo embora, você indo embora....
Caio Fernando Abreu.